18 de jul de 2007

Ogilvy PR discute novos negócios na América Latina

Agências17.07.2007 | 17:07

Francisco Britto, da unidade brasileira, participa de encontro em Miami

Francisco Britto, diretor geral da Ogilvy Public Relations Brasil, participará em Miami (EUA) do Ogilvy PR Latina Meeting Itinerary, que reunirá executivos da área de relações públicas da empresa amanhã (18) e quinta (19). No encontro, serão discutidos os rumos do setor, perspectiva de crescimento, potencial para novos negócios, novas ferramentas, e outros.
Presente em 62 países, a Ogilvy PR chegou ao Brasil em fevereiro deste ano. Atualmente, a Ogilvy Public Relations Worldwide é a maior empresa do Grupo ogilvy em receita, US$ 100 milhões por ano. A expectativa é que a unidade brasileira tenha receita de US$ 1 milhão/ano.

Case de gestão de pessoas na rede Pão de Açúcar

São nos recursos humanos de uma organização que residem as baterias de um empreendimento de sucesso. Não há como se obter êxito sem um trabalho sério e honesto de gestão de talentos.

A grande estudiosa das relações públicas e do clima organizacional, Vera Giangrande, protagonizou em sua passagem pelo grupo Pão de Açúcar, um dos cases mais pertinentes relativos à implantação do cargo de ombudsman interno e externo já vistos no Brasil. Na ocasião, o grupo Pão de Açúcar, em plena fase de reestruturação, possuía quatro marcas: o Extra, o SuperBox, o Eletro, e, finalmente, o Pão de Açúcar – carro-chefe da corporação.

Videojornal

Uma das primeiras medidas adotadas na gestão interna dos talentos da organização foi a criação de um videojornal mensal. Aqui, as notícias que convencionalmente são expostas em periódicos institucionais impressos, foram para a tela de um monitor, atraindo mais a atenção dos colaboradores, muitos dos quais – podemos deduzir – não adeptos do hábito da leitura. Por meio do videojornal, informações da organização e quadros motivacionais foram exibidos. Como nas relações públicas ouvir é fundamental, um questionário era distribuído entre os telespectadores para colher dados e opiniões. Foram as reivindicações presentes nos formulários que levaram o Pão de Açúcar a criar o cargo de ombudsman interno, voltado para os problemas e queixas dos colaboradores.

Atendimento

O ombudsman interno tem a função de atender os solicitantes sem burocracia e com firmeza e eficiência. O termo equivalente para ombudsman, em português, é ouvidor. Caso as solicitações não sejam respondidas, ou o profissional da ouvidoria não demonstrar segurança, a credibilidade do cargo é posta em cheque. No grupo empresarial varejista da família Diniz, todavia, o case foi bem sucedido, conseguindo o ombudsman interno aglutinar a adquirir credibilidade junto aos colaboradores. Estes, por sua vez, não eram obrigados a se identificarem no ato da queixa ao ouvidor. Mesmo os que se identificavam tinham os seus nomes mantidos em sigilo.

Com o passar do tempo, as ocorrências registradas pelo ombudsman se mostraram complexas e interessantes. Vera Giangrande conta em seu livro (escrito em co-autoria com José Carlos Figueiredo) O cliente tem mais do que razão: a importância do ombudsman para a eficácia empresarial, que na ocasião das enchentes no Rio e em São Paulo, alguns funcionários da rede de supermercados sofreram perdas significativas. Desolados com a perda e, obviamente, sem condições de concentrarem-se no trabalho, os colaboradores foram atendidos pelo ombudsman que, junto à assistente social da organização, providenciou pertences básicos como roupas e mobílias principais, possibilitando o retorno do colaborador ao cotidiano e ao trabalho efetivo.

Campanhas internas

Campanhas internas também foram realizadas. Sob o lema de que primeiro é necessário vender o produto para o público interno para, somente depois, contemplar o público externo com o lançamento, o grupo proveu ações internas para apresentar o lançamento da linha de produtos com a marca Pão de Açúcar, por meio de vídeos, folhetos e catálogos.

Em outra campanha, que lançaria par aos clientes a possibilidade de compras por meio de cheque pré-datado com juros diferenciados, além dos tradicionais treinamentos ofertados aos funcionários, foram distribuídos cartões com uma espécie de “cola”, para sanar dúvidas que eventualmente pudessem surgir no ato do atendimento ao consumidor.

Visitas e eventos

O ombudsman também visitava as lojas, colhendo percepções e conversando com colaboradores escolhidos de forma aleatória. Assim, com diálogos aparentemente simples, o profissional identificava o clima organizacional e os líderes informais da equipe. Mas a visita não se restringia a boas doses de conversas. Vistorias também identificavam falhas estruturais no ambiente dedicado aos colaboradores, possibilitando a solicitação e a efetivação de reformas. Os banheiros, os vestuários e as áreas de refeições foram algumas das áreas contempladas com melhorias.

Eventos envolvendo os familiares dos funcionários e os próprios colaboradores também foram realizados. Dentre eles, destaque para um concurso de cozinha experimental, que premiou as melhores receitas inscritas pelos participantes do concurso, destinado às esposas dos trabalhadores e as funcionárias da organização. Ainda mais cativante, o concurso de desenhos envolvendo os filhos dos colaboradores, premiou os melhores desenhos e os aproveitou nas estampas dos cartões natalinos do grupo. Sem dúvida, uma ótima idéia.

Uma organização é um elemento vivo, e o que o faz vivo seguramente não são as máquinas e as prateleiras. São os recursos humanos que a tornam um empreendimento de sucesso, ou um retumbante fracasso. O caminho – da vitória ou da derrota – dependerá do gerenciamento dos talentos da casa. O grupo Pão de Açúcar, assim como outras importantes redes de varejo, é um claro exemplo de que não há reestruturação completa sem um honesto e humano trabalho junto aos colaboradores da organização.