9 de jan de 2008

LIVRO GESTÃO DA COMUNICAÇÃO

O livro GESTÃO DA COMUNICAÇÃO: Terceiro Setor, organizações não governamentais, responsabilidade social e novas formas de cidadania é uma iniciativa dos professores do Curso de Especialização em Gestão da Comunicação, do Departamento de Comunicações e Artes, da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo. Com 12 anos de atividades, esse curso já formou 16 turmas de especialistas em Gestão da Comunicação, aos quais procurou oferecer uma formação multidisciplinar e fortemente humanista, capacitando-os a atuar no campo da Comunicação de forma abrangente, crítica e não instrumental.

A intenção é que os gestores tornem-se mediadores dos diversos interlocutores envolvidos nos processos da comunicação, sejam eles diferentes segmentos, classes ou organizações sociais. Para isso, sua formação deve privilegiar o desenvolvimento de uma visão científica e não departamentalizada da Comunicação, para a qual não existem respostas prontas nem soluções padronizadas.

Essa proposta implica em considerar a formação do gestor como um processo permanente de aprendizado, voltado tanto para a releitura das teorias clássicas da área das Ciências Sociais Aplicadas, como para o estudo de questões emergentes que se coloquem ao Campo da Comunicação.

O livro tem o objetivo de contribuir para isso: estudar o Terceiro Setor, formado por ações que se situam para além das esferas do Estado e da iniciativa privada e que recebem os diferentes títulos de responsabilidade social, organizações não governamentais, ações alternativas, nova cidadania, marketing social e marketing cultural. Esse tema, que preocupa especialmente os profissionais ligados à intervenção social - comunicadores, sociólogos, administradores, economistas e ambientalistas -, tem desafiado os pesquisadores a sistematizar idéias e a precisar conceitos, numa tentativa de entender e distinguir as novas formas de organização da sociedade na qual atuam. Discutir os princípios e méritos dessa nova força de ação e intervenção social é a proposta central deste livro.

Para isso, reuniram professores coordenadores do Curso de Gestão da Comunicação: Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares, coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação; Profa. Dra. Maria Lourdes Motter, responsável pelo Núcleo de Cotidiano e Linguagem; Profa. Dra. Roseli Fígaro Paulino, responsável pelo Núcleo de Políticas de Comunicação/Cultura - e profissionais que têm trabalhado conosco na formação de Gestores: Prof. Dr. Marcos Kisil, Profa. Dra. Gisela Castro, a Profa. Cristiane Olivieri e a comunicadora Luci Ferraz.

Esperam, assim, levar a outros profissionais da comunicação, assim como àqueles que atuam com a educação e a administração em setores públicos, privados e na emergente área do Terceiro Setor, um pouco dessa visão inovadora, crítica e abrangente que tem caracterizado o grupo de trabalho. Esperam também poder informar e esclarecer os leitores a respeito dessa área de ação tão nova quanto equívoca, que emerge na atualidade, desafiando nossos conhecimentos e competências.

Pelas informações que traz e pelas discussões que propõe, desejamos que este livro se torne ele também uma forma de mediação entre os leitores e esses novos setores que se organizam na sociedade.

Maria Cristina Castilho Costa
Organizadora e Coordenadora do Curso de Gestão da Comunicação

8 de jan de 2008

Astroturfing como estratégia de Relações Públicas?

Pouco conhecido no Brasil, o termo Astroturfing ganhou recentemente uma certa visibilidade, devido à publicação do artigo “Você sabia que a OI está fazendo Astroturfing” de Murilo Gun. (www.revistapronews.com.br/edicoes/91/brainstorm.html).

Mas o que vem a ser Astroturfing? A palavra é utilizada para designar “ações políticas ou publicitárias que tentam criar a impressão de que são movimentos espontâneos e populares”, consta na Wikipedia.

O termo é uma referência a uma marca de grama artificial dos Estados Unidos, “Astro Turf”. Foi criado em contraposição à expressão “grassroots” (grass=grama; roots=raízes), que na língua inglesa caracteriza os movimentos populares verdadeiramente espontâneos.

O Astroturfing acontece, por exemplo, quando uma empresa paga para pessoas falarem bem do seu produto (ou mal da concorrência). Ou quando alguém finge ser um cliente, usuário ou manifestante de um produto ou idéia e, na realidade, é o real interessado. Além do exemplo da Oi, podem ser citados o caso da SansaDisk, empresa de eletrônicos produtora de aparelho de MP3, e a Sony, produtora do console de jogos PlayStation. Ambas criaram blogs parar promover seus aparelhos fazendo parecer clientes ávidos pelo produto ou indignados com a concorrência. Mais informações podem ser encontradas em http://pt.wikipedia.org/wiki/Astroturfing.

A internet por sua facilidade de acesso, velocidade na criação e multiplicação de informações, e pela possibilidade de anonimato, tem sido um terreno fértil para a prática de Astroturfing. É fácil, por exemplo, criar múltiplas identidades e perfis em redes sociais e simular opiniões favoráveis sobre uma empresa, ou fazer parecer que um determinado blog é muito visitado e elogiado.

Aliás, os blogueiros, que vêm se mostrando também fontes de informação e de influência importantes entre diversos grupos, têm sido bastante assediados pelas empresas, para que postem opiniões favoráveis sobe seus produtos e serviços, inclusive sendo pagos para isso. Em 2006 uma notícia publicada no Portal Terra já apontava os casos da Wal-Mart, General Electric e Microsoft (veja em http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI916596-EI4802,00.html).

Esse tipo de promoção mostrou-se polêmico, e tem-se discutido se é possível faze-lo sem perder a transparência.

Afinal, isso é permitido?


Nos Estados Unidos a prática é proibida pelo código de ética da Public Relations Society of America, associação nacional dos profissionais do país. Existe inclusive uma campanha Anti-Astroturfing, que pode ser conhecida na página http://www.thenewpr.com/wiki/pmwiki.php?pagename=AntiAstroturfing.HomePage.

Já no código de ética brasileiro da profissão de Relações Públicas não há menção explícita a ações desse tipo. O que existe é a proibição ao profissional de “disseminar informações falsas ou enganosas ou permitir a difusão de notícias que não possam ser comprovadas por meio de fatos conhecidos e demonstráveis”. Uma colocação que certamente se aplica ao caso de Astroturfing, quando uma campanha planejada para favorecer uma organização é divulgada como se fosse espontânea e sem ligação com a entidade que está sendo promovida.

De qualquer forma, trata-se de uma estratégia arriscada, que pode eventualmente conseguir alavancar algum projeto, mas que também pode abalar a confiança do público e trazer prejuízos à imagem e à reputação de quem o promove.

Caso OI

Seguindo a tendência das empresas de telefonia de outros países, a Oi decidiu não mais vender aparelhos bloqueados (que não podem ser habilitado em outra operadora) a seus clientes. E aproveitou o fato de ser a primeira operadora de telefonia móvel a oferecer este benefício para fazer uma campanha publicitária, divulgando seu pioneirismo. Os comerciais da campanha podem ser vistos nos veículos de comunicação de massa, sob o mote "Você é nosso cliente. Não é nosso refém".
A estratégia de marketing da OI foi, juntamente com a campanha publicitária, lançar o movimento “Bloqueio Não”, que tenta criar uma sensação de “levante popular” contra as concorrentes, fazendo as pessoas se indignarem e trocarem de operadora. Para viabilizar este movimento, a empresa recorreu ao Astroturfing, planejando ações que fizessem o “Bloqueio Não” parecer espontâneo e popular.
Como a Oi conseguiu criar essa aparência de “apelo popular”? A empresa criou o site www.bloqueionao.com.br, onde são coletadas assinaturas online e os consumidores podem deixar depoimentos. A página na internet quase não cita a telefônica, falando apenas do movimento. A empresa só é mencionada no rodapé, onde há uma indicação "Defendem esta causa".
Além disso, a empresa colocou carros em pontos estratégicos das cidades para conseguir adesões offline e contratou personalidades, como Ronaldinho Gaúcho e outras celebridades para se juntar à causa. Para completar o “pacote Astroturfing”, a OI contratou blogueiros de grande visibilidade para colocar um selo do movimento com link para adesão. Outros blogs menores, voluntariamente, também colocaram o selo de apoio.
Apesar da falta de conexões explícitas entre o “Bloqueio Não” e a Oi, a linguagem usada e a veiculação paralela das campanhas publicitárias na mídia em massa parecem ter deixado claro aos consumidores a ligação entre elas. Mas nem sempre isso acontece, e outros grupos ou empresas empregam estratégias semelhantes de forma bem mais sutil, para tentar forçar a adesão a uma idéia.

Fonte: Horizonte RP

A HISTÓRIA SOBRE A LEI Nº 7197

Professor Doutor Fábio França conta a história sobre a Lei nº 7197 que institui o Dia Nacional de Relações Públicas

DIA NACIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS
Instituição e significação

A criação do “Dia Nacional das Relações Públicas” nasceu dentro da Associação Brasileira de Relações Públicas por iniciativa do professor Cândido Teobaldo de Souza Andrade.

O tema, juntamente com a eleição do engenheiro Eduardo Pinheiro Lobo como Patrono das Relações Públicas, foi debatido no congresso da ABRP de 1976, realizado em Alagoas, nas cidades de Maceió e Penedo, terra natal de Pinheiro Lobo.

O autor do Projeto de Lei da Câmara N. 75, de 1980, foi o deputado por Alagoas, e sócio da ABRP, Divaldo Suruagy.
A tramitação do projeto ocorreu de 1983 a 1984, quando foi transformado em norma jurídica n. 7197 e promulgado seu texto integral no Diário Oficial da União, em 14 de junho de 1984, página 8601, Coluna 1, sob a denominação de Lei nº 7197, que Institui o “Dia Nacional das Relações Públicas”, assinado pelo Senador Lomanto Júnior, 1º Vice-Presidente, no exercício da Presidência.

Diz a lei:
Art. 1º - Fica instituído o dia dois de dezembro como o "Dia Nacional das Relações Públicas".
Art. 2º - Na data estabelecida no artigo anterior, as associações e entidades ligadas à atividade de relações públicas farão, em todo o País, promoções que de qualquer modo assinalem e festejem o transcurso da efeméride.

Interessante observar que a iniciativa de se criar esse dia aconteceu no limiar da redemocratização do País, o que prova a perspicácia e a preocupação dos dirigentes da Associação Brasileira de Relações Públicas daquela época em revitalizar e legitimar a atividade, que foi, praticamente, sufocada durante 20 anos pelo regime militar.

Faz, portanto, 23 anos que a ABRP se preocupou em criar o Dia Nacional de Relações Públicas, convicta de que a comemoração desta data viria fortalecer a atividade, valorizá-la e dar-lhe a necessária visibilidade pública por meio de promoções oficiais que deveriam ser desenvolvidas pelas entidades a ela ligadas. Viria ainda intensificar a união dos profissionais em torno de um objetivo comum – afirmar de maneira positiva a importância e o papel das relações públicas na construção de uma nova sociedade democrática.

O aceno ao retorno gradual, mas efetivo, do regime democrático deu novo ânimo às relações públicas, tanto pela expansão da atividade no meio acadêmico, como pela criação de consultorias e agências, que passaram a oferecer livremente às organizações os seus serviços.

Desde esta época, a ABRP e os seus associados passaram a celebrar o dia dois de dezembro com orgulho e entusiasmo por meio de encontros, semanas, seminários e outros eventos. A preocupação era somar forças, unir e não dispersar. Aproveitar a data para promover as relações públicas nas organizações e na sociedade como uma atividade capaz de contribuir, pela união e o trabalho de seus profissionais, para a consolidação da nova sociedade que surgia. Esse espírito de união corporativa é o que deveria ter persistido até o presente para dar credibilidade e legitimidade ao exercício pleno da atividade.

O Dia Nacional das Relações Públicas é o dia dois de dezembro, conforme diz a lei. Seguindo a recomendação legal, hoje é também comemorado e apoiado pelo Sistema Conferp/Conrerps e pelo Sindicato da categoria. Todas essas entidades querem que seus associados unam-se em prol de uma mesma causa, dos mesmos objetivos para que as relações públicas sejam cada vez mais reconhecidas e praticadas pelos empresários brasileiros.

Fonte:ABRP Nacional