2 de out de 2007

“V” de Visão

ato ou efeito de ver, o sentido da vista, percepção, algo visto ou percebido, imagem ou representação que aparece aos olhos ou ao espírito, concepção ou representação de situações, interpretação.

Apesar de tudo somos, somente, seres humanos. Poucos de nós conseguem ver além do que lhes é mostrado e, menos ainda, além das suas próprias concepções e limites. Esse é o nosso (maior) desafio e o que acaba, no final das contas, diferenciando aqueles que constroem o futuro daqueles que, simplesmente, irão viver no futuro.
Por mais exercício e treino que tenhamos, por mais estudo e prática, a visão é um dom que – sim até pode ser desenvolvida, mas somente para aqueles que já a tem. Aqueles que limitam-se a ver o que está sendo mostrado, resumem sua experiência ao que lhes é ofertado e não se atrevem a esticar o olho e ver se tem alguma coisa atrás da cortina.
A Comunicação poderia, dentre tantas outras formas, ser descrita como a arte e a ciência dos visionários, daqueles que buscam e tentam ir além e compreender mais do que simplesmente entender – soa como religião... pois, vez por outra acho que é isso mesmo, a Comunicação é nossa religião.
Ela é que nos proporciona a visão de uma existência melhor, do desbravar novos horizontes e descobertas de novos mundos. O que seria de Colombo, Vespucio, Cabral, da Gama e outros desbravadores se não tivessem um comunicador a bordo para relatar o que descobriram.
E já imaginaram se o tal profissional fosse desprovido de visão, a famosa carta de Pero Vaz de Caminha seria um relatório insuportável e que não despertaria o mínimo interesse – se bem que, pensando bem.... bem, deixa isso pra outra crônica.
Os grandes entrevistadores e os melhores repórteres estão ouvindo uma resposta e, enquanto isso, em suas mentes, vai se formando uma figura, uma imagem da história que está sendo contada e, a partir daí, os grandes comunicadores conseguem relatar essa imagem em palavras para que todos compreendam a mensagem.
Difícil? Nem tanto. Palavras formam uma imagem que é expressa novamente em palavras que transmitem uma mensagem – e que forma uma nova imagem na mente dos leitores.
Os grandes textos jornalísticos, ao contrário do que insistem em afirmar, além de primar pela verdade, são capazes de estimular a visão dos leitores.
Por isso se, vez por outra estiver dando uma entrevista e o repórter estiver com cara de que está imaginando alguma coisa, não estranhe: pode ser que dali, saia uma excelente matéria.

Sérgio Lapastina

Formado em Jornalismo, com pós-graduação em Marketing e em Comunicação de Marketing, com especialização em Gestão de Marcas/Branding, Sérgio Lapastina é Gerente de Imprensa e Comunicação da Sabesp e o responsável pela implantação e desenvolvimento da competência Comunicação e Fluxo de Informações.
Tem passagens por diversas empresas e agências nacionais e multinacionais, sempre desenvolvendo projetos na área da Comunicação Empresarial, Relacionamento com a Imprensa, Endocomunicação, Comunicação Digital, Criatividade, Gestão de Marcas/Branding e Gestão do Conhecimento e programas de valorização da Comunicação nos sistemas empresariais e no mercado em geral.
Lapastina é também escritor, cronista, articulista e integrante de diversos Grupos de Estudos em Comunicação e Marketing, como Aberje, Aba e CBCI - Comunicação Interna. Finalista do Prêmio Comunicação de Valor -2001 e do Prêmio Personalidade da Comunicação Empresarial – 2002, é ainda autor de cases premiados pelas mais importantes associações, empresas e entidades nacionais. É autor dos livros “Frente a Frente – Manual de Relacionamento com a Imprensa”, “Frei Bolinha, companheiro de São Francisco – uma história de boa vontade” e tem textos publicados na coletânea “Comunicação Interna II – a força das empresas”.
Seus textos podem ser conferidos na série Crônicas do Cotidiano, publicada no slapastina.blogspot.com e em artigos no Portal Mega Brasil, Aberje e nas Revistas Envolverde e Negócios da Comunicação.

Fonte: Jornal da Comunicação Corporativa